Birdwatching é o termo usado pelos amantes da observação de aves no seu habitat natural. Pode parecer algo monótono, mas a comunhão que se estabelece com a natureza oferece momentos de descontração inigualáveis. É um programa ideal para fazer em família ou com um pequeno grupo de amigos, numa escapadela de fim de semana. Garantimos o enriquecimento pessoal e, quem sabe, o princípio de um hobby viciante. Da sua parte, só tem que garantir algum equipamento necessário, como um par de binóculos ou, para os amantes de fotografia, uma máquina com uma objetiva de zoom. Deixamos uma sugestão de passeio.
Texto e fotos: Tânia Araújo (fotografia da natureza)
O centro geográfico de Portugal é uma enorme mancha de pinheiros bravos que se estende por uma área de topografia acidentada. Os concelhos de Oleiros, Sertã, Proença-a-Nova e Vila de Rei partilham desta mesma identidade territorial conhecida como Pinhal Interior Sul.

Bem no centro desta região, encontramos uma paisagem imponente que alterna entre a grandiosidade das cristas de quartzo das Serras do Moradal e Alvelos e os vales profundos escavados pela insistência milenar dos inúmeros cursos de água, de onde sobressai o Zêzere.
Não é pois, de estranhar, a riqueza da fauna que povoa toda a região, desde espécies típicas de zonas florestais até aos riquíssimos habitats ribeirinhos.
O observador mais atento facilmente descobre aves de rapina a sobrevoar toda a região. Mas é a águia calçada que encabeça a lista das mais desejadas. Esta ave magestosa pode ser avistada ainda em habitats florestais da Beira Interior. Distingue-se sobretudo pelas patas emplumadas que dão origem ao seu nome comum. Em Portugal é uma espécie estival que chega ao nosso país em março e parte em setembro. Por estar a registar fortes decréscimos populacionais na Europa, está classificada como espécie em situação preocupante em termos de conservação.

O emblemático melro-de-água – a única espécie de pequeno porte que mergulha – é uma ave pouco comum em Portugal e que escolhe cursos de água rápidos e limpos para viver, pelo que a sua presença é normalmente um indicador da boa qualidade do habitat e da sua água.
Constrói o ninho próximo da linha de água, normalmente em cavidades e fendas de rochas e muitas vezes atrás de cascatas.


Este belo e colorido lagarto é uma espécie endémica da Península Ibérica que habita zonas próximas de cursos de água, sendo a sua presença indicador de uma boa qualidade da água.
Embora as cegonhas sejam bastante vulgares, esta espécie é rara em Portugal. Este decréscimo da população deve-se, sobretudo, à perda de habitat, o que a transformou numa espécie com o estatuto de “vulnerável”.
É uma ave que procura locais tranquilos e pouco perturbados pelas atividades
humanas, pelo que, no nosso território, pode ser encontrada maioritariamente no interior do país, particularmente nas zonas inóspitas das bacias do rio Tejo, onde nidifica. No entanto, a sua capacidade de voo faz com que possa ser observada fora destas zonas de nidificação, especialmente em períodos de movimentos migratórios. Animal bastante tímido, deve ser observado com o mínimo de perturbação possível.

(Tichodroma muraria)
Pequena ave trepadeira típica de zonas montanhosas onde existam fragas e vertentes rochosas muito escarpadas. É uma das aves mais raras que ocorre em Portugal e a maioria das observações têm sido registadas nas escarpas que ladeiam o percurso sinuoso do Zêzere, entre os concelhos de Oleiros e Pampilhosa.
As suas populações mais conhecidas localizam-se nos Alpes, Pirinéus e Picos da Europa onde nidifica. Visita-nos no inverno, quando se desloca para zonas de menor altitude.
A riqueza da paisagem afirma-se também na diversidade da fauna e flora que povoam a região. Um segundo olhar revela a coabitação do pinhal bravio com os matagais onde abundam o medronheiro ou o zimbro. Ou a esteva, o rosmaninho e o alecrim que dão notas de perfume à clareza do ar que por lá se respira. Quando se trilham os caminhos e veredas do pinhal, os sentidos apuram-se e uma máquina fotográfica torna-se um instrumento indispensável. Experimente deixar escorrer o dia sentado no alto de uma escarpa, de onde melhor se compreende a grandeza da paisagem natural, aqui e ali, pontuada por pequenas aldeias e estradas serpenteantes. Embrenhe-se nos bosques que circundam os leitos dos inúmeros cursos de água que, persistentemente, foram escavando a paisagem dando lugar a habitats ribeirinhos de grande biodiversidade onde abundam as folhosas.
Dispense-lhe o seu tempo e a natureza revelar-se-á aos seus olhos em toda a sua exuberância.


